Fábio Amador Bueno

Fábio Bueno sabe bem o significado da palavra luta. Aos 51 anos, é o editor de livros e revistas marciais que está há mais tempo no mercado das bancas de jornais e livrarias. São quase 20 anos de muitas matérias, diagramações e fotos, e mais de 1 milhão e meio de exemplares distribuídos no Brasil.

Na década de 90, época em que Fábio iniciou, o contexto era ligado à violência e preconceito. Nos anos 1970, quando o mestre Emerson Bernardo criou os primeiros títulos, no Rio de Janeiro, o mercado era ainda mais fechado. As publicações traziam mais artigos que matérias, pelo fato de não existirem colunistas marciais. Vários, deles, eram, inclusive, traduzidos do inglês para o português. Com a implantação do Taekwondo, Muay Thai e do Kickboxing no Brasil, o segmento arrematou novos praticantes. Em 1978, a revista Do, editada pelo mestre Woo-Jae Lee, aumentou a divulgação.

Entre 1980 e 1990, surgiram outros títulos e livros, como Combat Sport, Kiai e Top Fight, com conteúdo sobre Kung Fu, Hapkido, Karate e outras modalidades.

Nessa fase, Fábio Bueno atuava em um estúdio que atendia algumas editoras do país, como a Escala. Naquela época, produziu revistas sobre ecoturismo, informática, pesca esportiva e etc, No final dos anos 1990, seu então editor-chefe, Fábio Kataoka, faixa preta de Karate, identificou a ausência de títulos dedicados às artes marciais nas bancas e pelo fato de Bueno ter afinidade com o tema e por ter praticado Full Contact e Taekwondo, lhe confiou a missão de criar uma revista. Nascia assim, em 1998, a Inside Kumite, pela editora Millennium, com 25 mil exemplares, distribuídos bimestralmente em todo o Brasil.

O título só permaneceu na ativa durante um ano e teve seis edições. De acordo com Fábio Bueno, não durou muito por conta de falhas editoriais. Kataoka e Bueno lançaram uma nova revista, desta vez, por outra editora, totalmente reestruturada e com ênfase nas artes marciais tradicionais. Foi a vez da Fighter Magazine invadir o cenário impresso. A revista fez um grande sucesso e durou mais de seis anos e 21 edições, todas com 25 mil exemplares.

Com a Fighter, o editor ganhou notoriedade e o respeito de professores e mestres. Logo em seguida, produziu a Shaolin Gong Fu, Coleção Defesa Pessoal, Coleção Artes Marciais, lançada pela Editora Online no Brasil e na Europa. Esta série fez tanto sucesso que se esgotou rapidamente, a ponto de ter sido reimpressa e redistribuída.

Em meados de 2000, como colaborador da Escala, fez vários livros. Em 2009, após tantos anos atuando em São Paulo para conglomerados, identificou que havia chegado o momento de abrir seu próprio escritório. A decisão teve o apoio da esposa, Elaine Ferreira, que havia acabado de deixar a gerência de um banco e assumiu a sociedade da empresa.

A Bueno Editora foi fundada em Santos, no litoral sul de São Paulo, com o objetivo de ser referência na produção de livros e revistas de artes marciais no Brasil, e em serviços de design, assessoria de marketing e imprensa.

A MASTER, uma das primeiras apostas, se conceituou como a única revista no Brasil que aborda as principais modalidades. Suas capas já foram estreladas por Fábio Goulart (Taekwondo), Lyoto Machida (Karate e MMA), Victor Penalber (Judô), Rosicleia Campos (Judô), Natália Falavigna (Taekwondo), Tainara Lisboa (Muay Thai), entre outros.

Ainda em 2009, o diretor da Bueno ousou ao colocar à venda um livro inédito de biografias sobre artistas marciais, o Grandes Mestres das Artes Marciais do Brasil. “O GM Carlos Silva me mostrou um livro de grandes mestres editado nos Estados Unidos, e sugeriu que eu produzisse uma obra semelhante por aqui. Tive que reformular todo o modelo para adaptar à nossa realidade”, conta.

Hoje, a obra é referência nacional e já foi enviada para mais de 20 países por intermédio de seus participantes. São nove edições e mais de 800 biografados. Para 2018, o autor pretende aumentar este número, uma forma de continuar homenageando grandes nomes e tirar mais educadores do anonimato, dando-lhes o devido reconhecimento.

O diretor da Bueno também continuou colaborando com outras editoras, produzindo a Roteiro do Pescador e a Octagon Magazine (MMA) para a Fontana, e a Almanaque Brasileiro de Tatuagem para a Escala, etc.

Em 20 anos de labuta, teve cerca de 40 títulos entre revistas e livros de artes marciais. Sempre envolvido com algum projeto, Bueno, como é chamado, não tinha se dado conta da marca impressionante que alcançou. “Estive por anos focado no trabalho, quando parei para fazer as contas, me deparei com números que eu nem imaginava. Se somarmos todas as tiragens das revistas e dos livros, ultrapasso com facilidade a casa de 1 milhão e meio de exemplares distribuídos nas bancas e livrarias do Brasil. Muita gente me aborda nos eventos e comenta que possui minhas revistas e livros guardados com carinho, e que iniciaram a vida marcial por influência delas. Isso é muito gratificante”, fala.

Há nove anos com a Bueno Editora, está dedicado a enaltecer, divulgar e promover mestres e professores de artes marciais no Brasil. “Nossos produtos estão em constante evolução. A Bueno Editora não é uma simples produtora de livros e revistas, oferecemos assessoria de marketing e temos ferramentas para que as pessoas cresçam e atinjam seus objetivos”, conclui.